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Editorial 5 (2004-06-14)

Eleições para o Parlamento Europeu
Um cartão vermelho aos Partidos

Teresa Ribeiro da Cunha

Editorial 4

Quase 2 em cada 3 eleitores (61,2%) abstiveram-se nas eleições de ontem, para a escolha dos 24 deputados/as portugueses ao Parlamento Europeu, seleccionados pelos Partidos Políticos.

No quadro abaixo, indicamos a composição dos eurodeputados portugueses. Nos dois maiores partidos/coligações, a esmagadora maioria são homens. As mulheres ocupam 33% dos lugares no PS e somente 11% na coligação governamental. Com tais exemplos, como acreditar nos planos e "estratégias" igualitárias para a convergência com sociedades em estádio de paridade mais avançada?

No total dos 24 eurodeputados portugueses, somente 6, isto é, 25% são mulheres.

Nenhum cabeça de lista é mulher, excepto no PC-PEV.

PS   44,5%

PSD-CDS  33,3%

PCP-PEV   9,1%

BE   4,9%

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M

%M

H

M

%M

H

M

%M

H

M

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8

4

33,3

8

1

11,1

1

1

50,0

1

0

0,0

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Dos 24 deputados, 18 são homens e só 6 (25%) são mulheres.

Os Partidos portugueses continuam a tentar suster a igualdade e a paridade e a discriminar as mulheres. Até ministros mostram em público a sua saudade pelos tempos da "mulher ao fogão".

Mas as mulheres não se intimidam e exibem com cada vez maior firmeza o cartão vermelho eleitoral a tais Partidos.

Não basta às mulheres absterem-se. Há que militantemente, organizadamente, forçar a mudança. Pequim+10 é já daqui a um ano. Com estes Partidos, a igualdade não cai do céu: há que conquistá-la.

 

Editorial 4 (2004-03-07)

8 de Março, o "dia" da Mulher
Um dia de palavras, um ano de abusos

Teresa Ribeiro da Cunha

Editorial 3

Anualmente, repete-se o cerimonial. Os media, os governantes e os políticos lembram que se está no dia internacional da Mulher. As/os comerciantes procuram tirar lucro da efeméride. Os intelectuais e filósofos continuam absortos nas suas profundas locubrações.

Alguns cartoonistas de prestígio põem o seu talento ao serviço dos direitos humanos. Com a devida vénia, reproduzimos o cartoon de Forges publicado hoje pelo El Pais:

Cartoon de Forges no El Pais

Os movimentos igualitários, femininos e masculinos, das sociedades evoluídas integram o simbolismo ideológico-moral na estratégia mais vasta e permanente da luta contra todas as formas de discriminação e de violência de que muitas mulheres ainda continuam a ser vítimas.

Nas sociedades evoluídas, os mecanismos igualitários são permanentemente actualizados e afinados, para o rápido sucesso da igualdade/paridade. Na nossa sociedade, os progressos são de lesma. A convergência acelerada para os níveis igualitários raramente ocupa lugar de destaque na agenda política e na agenda dos media. As palavras jazem inertes de acções.

O Estado, a nível central, regional e local continua a dar à tarefa fundamental da implementação da real igualdade entre mulheres e homens, imposta pela Constituição em 1997, o estatuto de tarefa para as calendas lusitanas.

Para as discriminadas e para as vítimas da violência de toda a espécie, não faz sentido falar do dia da mulher, mas da vida das mulheres. Das  discriminadas, violentadas e violadas. Das idosas, roídas pela pobreza, a exclusão, a solidão e o inferno das bichas de espera e insuficiência de pensões e de apoios. Das divorciadas que continuam vítimas da ineficácia dos tribunais.

O próximo ano seguirá ao mesmo ritmo pachorrento, injusto, ilegal e insuportável, se os movimentos igualitários não executarem estratégias mais eficazes. A igualdade e os direitos não caem dos céus. Conquistam-se.

Os votos das mulheres pesam mais do que os dos homens. Há que usá-los estrategicamente.

 

Editorial 3 (2003-09-26)

Eleições para o Parlamento Europeu
Basta de discriminação das mulheres!

Teresa Ribeiro da Cunha

Editorial 2

São em Junho próximo as eleições para o Parlamento europeu, quando a UE já é a 25 membros.

Actualmente as mulheres parlamentares são menos do que 1/3 da totalidade dos deputados. Este escandaloso quase-monopólio pelos homens da representação política das europeias e dos europeus ofende a Democracia. Ofende os direitos das mulheres. É um claro sintoma de que os Partidos Políticos pretendem perpetuar o regime de dominação do masculinado.

E é uma inaceitável violação da Convenção contra todas as Formas de Discriminação das Mulheres. E uma forma insuportável de violência sobre as mulheres.

Em Portugal, já desde a última revisão constitucional de 1997, a implementação da igualdade entre os homens e mulheres é uma das tarefas fundamentais do Estado. Os Partidos não podem continuar a monopolizar o poder político.

Ninguém melhor do que as mulheres pode e sabe ajudar a resolver os problemas das mulheres e raparigas.

Nas sociedades mais igualitárias, a questão da paridade de género nos parlamentares europeus já se faz ouvir intensamente. Em Portugal, só o silêncio se ouve. Até quando?

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Editorial 2 (2003-07-02)

Mais desemprego para as mulheres

Teresa Ribeiro da Cunha

Editorial 1

O Governador do Banco de Portugal, ao caracterizar ontem a conjuntura recessiva da economia portuguesa, afirmou que "infelizmente, não estamos ainda no ponto mais baixo do desemprego".

Depois de a economia portuguesa ter crescido abaixo da média europeia em 2002, há grande probabilidade de Portugal voltar a empobrecer este ano e talvez em 2004.

Tudo isto são más perspectivas para muita gente e, em particular, para muitas mulheres que constituem o grosso dos mais pobres e são as primeiras vítimas do embate das más conjunturas económicas. E as más conjunturas não são epidemias de geração espontânea. São sempre consequência de decisões erradas, por acção ou omissão, dos responsáveis pelas políticas.

Na recente sondagem da Universidade Católica, o desemprego passou a ser o principal problema (60% dos inquiridos), seguido da corrupção (50%) e da droga (47%). Como maioritárias entre os pobres, tanto o desemprego como a corrupção reflectem-se mais negativamente nas mulheres.

À feminização da pobreza soma-se a feminização do desemprego. É a dupla tenaz terrível da discriminação económica e social das mulheres.

As mulheres só lucram em auto-organizar-se eficazmente para pôr fim a todas as formas de discriminação. A pobreza e o desemprego das mulheres não são maldição ou praga caída dos céus. Nem são fruto "natural" da economia. São,sim, produtos da discriminação social e política das mulheres. Até quando?

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Editorial 1



Mais um site sobre a igualdade

Teresa Ribeiro da Cunha

Lançamos hoje a versão Beta do nosso site. Contém informação que espero seja útil, em particular às mulheres e raparigas do meu País. No seu dia-a-dia. Na sua vida. Na sua luta contra a multi-discriminação, a multi-exploração ou a multi-violência de que tantas são vítimas.

Um site nunca está terminado. É um ser em permanente evolução. Este ainda sofre das limitações da primeira infância.

Destina-se a um vasto público, tanto feminino como masculino. A igualdade e a não-discriminação são obra colectiva.

Se ele for útil a alguém, damos-nos por felizes.
 

 

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